"Eu ando tomando o rumo certo agora. Me deseje sorte."
"Slow down, you crazy child.
Take the phone off the hook and disappear for a while.
It’s all right you can afford to lose a day or two."
"Aquele dia frio, no qual todo o mundo lá fora parecia hibernar, trazia consigo um cheiro de nostalgia. A menina sozinha, que já carregava essa fase de sua vida a muito tempo, possuia bem lá no fundo, uma esperança verde. Verde porque esperava do mundo algo melhor, bem lá no fundo, algo mais colorido. De alguma maneira, esperava algo mais convidadivo, talvez a primavera ou o verão. Mas ao mesmo tempo lembrava-se do conforto e da segurança do inverno. O verão, apesar de toda cor, brilho e cheiros ardentes de fogo e de paixão, o tão aclamado amor de verão, sempre tinha um fim e precisava ter, pois não passava de um amor juvenil. Se amava tão loucamente e, subitamente, toda aquela paixão se esvaia. Era sempre por esse motivo que ela preferia o inverno, porque sempre se lembrava dele. Dele que coloriu subitamente os seus dias, que despertava nela um amor de modo indescritível. E que a ensinou o valor do inverno. Ensinou a ela, mesmo que sem a intenção de tal, que o inverno, apesar de acinzentadamente frio - e no qual a única coisa possível de enchergar era a falta branca de uma opção, de uma escolha que realmente valesse a pena -, nele não havia o calor dilacerante do verão, apenas um calor para mante-lá viva e aquecida, controlável por ela. Ele podia não estar com ela, mas nem a dor, e ela se sentia aliviada.
O inverno a protegia, dentro de casa, dentro daqueles muros, bem lá no fundo, com a esperança verde de que um dia alguém atravessaria as estradas brancas, os pés queimariam no chão instável do inverno desolador, rumo a casa da menina sozinha e esperar que se, como a neve branca, sua alma o fosse, pudesse adentrar na casa, na vida, no mistério solitário e racional da fechada menina. E se o fizesse, o verde não mais seria verão e sim primavera, menos quente e mais delicado, e sempre, sempre colorido. Assim ela não precisaria amar apenas as coloridas coisas, que permaneceriam sempre coisas, amaria sentimentos, um degradê de sentimentos e saberia que não passariam de sentimentos e apenas sinceros sentimentos.
Ela durmiu aquela noite sonhando verde, mesmo sabendo que ninguém se arriscaria a enfrentar a transparência do inverno, muito menos da alma. E acordava, novamente, aquela menina sozinha, esperando no fundo, o verde, mas protegendo-se sempre atrás do muro, da pedra, do cinza, do frio, do inverno."
"Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Afinal, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem beijos quentes ou pro amor mal resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de bonito. Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho. E pra seduzir somente o que me acrescenta. Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que as vezes me cansa. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, voracidade e falta de ar!"
"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome: auto-estima. Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. Hoje sei que isso é: autenticidade. Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de: amadurecimento. Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é: respeito. Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o Futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é: plenitude. Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é saber viver. Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas."